Encontro em São Paulo!

Neste domingo, 13/12, a partir das 16h, receberemos, na Livraria, Bar & Café Patuscada, pessoas que acompanham os Escritores na Estrada em nossas jornadas e andanças. Um papo despretensioso sobre nossas viagens. Queremos compartilhar histórias, impressões, dar risada e dar abraços de final de ano. Puxem uma cadeira, aprumem a conversa.

O lugar não poderia ser mais bem pensado – a livraria, recém inaugurada, é do Eduardo Lacerda, quem capitaneia a Editora Patuá. O espaço pretende abrigar eventos culturais e tem um projeto aberto de crowdfunding para arrecadar fundos iniciais para colocar o projeto nos trilhos.

Fica na Rua Luis Murat, 40 em Pinheiros. Essa é a rua ladeia o cemitério da Cardeal Arcoverde. Assim, de ônibus é fácil de chegar pela Cardeal, Henrique Schaumann e Teodoro.

Estaremos lá a partir das 16h, sem muita hora para terminar.

Um grande abraço, até lá!

 

 

Constelações e perguntas

Fizemos uma reunião muito bonita esses dias. Foi na sexta. 13 de novembro. Chovia e trovejava. Casa da Tarsila. Sofá para todos os Escritores na Estrada reunidos. Sem muito apertar, cabia ainda o cãozinho Canek. O maior sofá do mundo é onde estão os teus amigos.

Só assim para aguentar as pílulas de desgraça via twitter. Ligação do amigo. Se sabia algo da brasileira atingida na França, se teria como descobrir. Mariana. A lama. As bonitezas do mundo desfazendo pelas mãos. Mais de 120 mortos confirmados em Paris. O arsênico. Os peixes. O mangue. Só no maior sofá do mundo com teus amigos escritores, pertinho, numa noite de toró, com cerveja e cabelos molhados.

Ontem a promessa era que eu escrevesse aqui sobre uma viagem que fiz. Não consegui. Fiquei rabiscando o poema em prosa em que segue. Às vezes, parece bem fútil escrever sobre bons momentos e felicidade. Enquanto o gosto amargo não passa. Abraço. Bom ter vcs comigo.

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constelações e perguntas

mesmo com toda a fama, com toda lama. e me diga, quem matou o rio? o rio que dava título ao teu nome. arsênico. no morro e no vale, a vaca cheia de leite. leite que sonha doce de leite, que sonha queijo, que sonha. arsênico. quem matou o rio e peixes boiam, potros boiam, boiada de bichinhos que se vão em vale. e a cidade-luz se apaga. que bom. assim poderíamos enxergar as estrelas no céu. como se enxergam as estrelas no céu em mariana. mas não. já se apagou. é muito clara a cidade-luz. é muito clara. as noites. e os dias. ofusca. ofusca. o que se passa em outras latitudes? as meninas. como perguntar para as meninas na nigéria, daí vc enxerga o cruzeiro do sul? aqui é madrugada. nem de noite. nem de dia. só o papa que diz da terceira guerra mundial. o mundo claro dos homens. do deus dos homens. quanto deus, meu deus. e vão levando, vão levando todo emblema, todo problema. e quem fica? as estrelas que não enxergo. a menina que salvou o filhote de cão. a mulher que se pendurou da janela. o médico do pronto socorro do plantão sem fim. a baleia azul que resta como um sonho sem arsênico ou luz. as estrelas sem nome, sem sul. isso fica. e a gente se pergunta, se amor é tudo isso.