a mala

IMG_3090Virginiana com todos em planetas em virgem faz uma mala que é uma beleza! Não precisa de lista. Acorda na madrugada, horas antes de partir, e faz a mala com precisão. Da mala é a própria. Não esquece condicionador. Nem cadeado. Nem batom. Muito menos toalha, própolis, havaiana, meia.

Mas empaco sempre no “qual livro vou levar comigo”?

Claro, tem o kindle. Que são muitos livros. Mas ainda sou salamandra desses tempos anfíbios, nem cá, nem lá. Tenho repentes. Às vezes, me faz a falta terrível o papel. A presença. Em muitas viagens, levei um capa dura, nada prático, o Teoria do drama moderno [1880-1950] do Peter Szondi. Lembro de ter ido pro México. Não me pergunte o motivo. Talvez seja para evitar o drama.

Noutras, compro livros em aeroporto, rodoviária. Dessas edições porcarias que amo, em papel jornal, que se desfazem ao final da leitura. Um que me marcou foi o Norwegian Wood do Murakami que li na Etiópia – bastante pós-moderna a situação “brasileira lê japonês em inglês em Adis”. Ficava xingando o drama barato, mas do livro não largava. Talvez o Szondi já não pudesse me ajudar.

Desta vez, já tenho dois candidatos. O livro do Delmo, Recife, no hay. Pra lembrar que vamos rumo Sul, mas com outros céus em vista. E um outro livro que me chegou de surpresa, um presente na mesa do trabalho. Autografado pelo organizador, Alberto Dines. Um livro sobre o século passado, O mundo insone e outros ensaios, do Stefan Zweig. Pra lembrar que vamos ao futuro, mas com a história nos mordendo os calcanhares.

Fred, não me xinga, que juro que minha bagagem é pouca.

Trago muito contrabandeado aqui por dentro.