E no Sesc Prainha…

Foi muito lindo o nosso Curto Circuito Literário. Ana falou sobre travamentos, eu sobre trajetória do herói, Tarsila mexeu com o corpo da galera, Jeanne mandou super bem com o Leia Mulheres e Daud colocou o inconsciente dos participantes para trabalhar.

Foi muito bonito mesmo. A oficina lotou, foram mais de 30 inscritos, teve gente que não conseguiu entrar. O público era super diverso, ficamos impressionados como a literatura pode se constituir em um lugar de encontro e a materialização de uma utopia. Eram senhoras, jovenzinhas de cabelo azul e cor de rosa, adolescentes, acadêmicos, brasileiros, estrangeiros, homens, mulheres de Florianópolis que enfrentaram a noite fria e deram um salto corajoso para suas próprias interioridades. Estamos completamente encantados!

Obrigada ao Sesc Prainha por oferecer o espaço da biblioteca para que a oficina pudesse ser livre e gratuita.

Algumas fotinhas para vocês verem como foi! :-)

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Surfistas de sofá

E quando sento para fazer as apresentações, já é hora das despedidas.

Na nossa viagem, optamos pela hospedagem solidária: ficar na casa de almas gentis que nos cedessem um cantinho pra dormir e um chuveiro quente por algumas noites, em troca de conversas, cervejas e karma points. Uma das razões era financeira: com sete pessoas no grupo, precisávamos que a viagem ficasse o mais barata possível para conseguir viabilizá-la. Igualmente importante, porém, eram os papos, as cervejas, conhecer os livros e discos e rotinas de outras pessoas. Sair dos territórios conhecidos e ter contato, ainda que brevemente, com outras formas de viver.

E assim foi em Florianópolis. Tivemos tres anfitriões: Rita, Upiara e Mutley.

Rita Paschoalin, nossa anfitriã, e Rê
Rita Paschoalin, nossa anfitriã, e Rê

Rita Paschoalin é escritora. Eu a conheci pela internet, e tive a alegria de ser convidada para fazer o prefácio de seu livro em parceria com a Luciana Nepocumeno, o Contos do Poente. A gente ainda não se conhecia pessoalmente. Desvirtualização de corpos operando: que delícia chegar na casa dela e dar um abraço, ver que ela é mais baixa e ainda mais sorridente do que eu imaginava, conhecer seus filhos incrivelmente fofos e educados, ver Floquinho, o cão. Sua casa tem um piano e fotos das crianças e uma TV grande para videogame na sala. A Rita foi incrivelmente generosa e participou também da nossa leitura na Sambaqui, na segunda. A Renata e o Daud ficaram na casa dela.

Caetano, o gato modelo, e Upiara acordando
Caetano, o gato modelo, e Upiara acordando

Upiara Boschi era meu veterano no curso de Jornalismo da UFSC, diferença de um ano, acho. Um dos melhores textos que rolavam por lá. Upi é inteligente e tímido, escreve sobre política para o Diário Catarinense e tem um gato laranja chamado Caetano, que gosta de ficar dentro do armário. O Upi até fez uma caminha para ele lá. Fazia alguns anos que eu não encontrava o Upi pessoalmente, e aí foi muito bacana reve-lo, tomar umas com ele e comentar a quantas anda tudo. No dia da leitura, o Upi chegou um pouco atrasado porque estava entrevistando o prefeito. Colocou um blazer e tudo. A Tarsila e o Gonza ficaram hospedados no apartamento dele.

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Mutley e crepe de chocolate!

E aí tem o Mutley. Diz que o nome dele é Fábio Bianchini, mas eu conheço ele como Mutley mesmo. Ou Mumu. Ou Bibikas. O Mutley também fez Jornalismo na UFSC, embora já estivesse formado quando comecei o curso. Ele tem uma banda chamada Superbug, é dono de milhares de CDs e está fazendo um documentário sobre o bar do Frank, o bar mais legal do mundo, que existiu em Floripa na década passada, na beira da Lagoa da Conceição. Fui entrevistada para esse doc por conta dos shows de bandas independentes que eu produzia por lá. Eu conheci o Mutley por meio do Upiara, quando ele me levou junto, a caloura hardcore, para uma entrevista com o Wander Wildner no Curupira Rock Bar, e o Mumu tava lá. Como o Upiara, é um dos meus bróders mais antigos, que me apresentou um monte de sons e coisas bacanas. Eu, o Fred e a Ana ficamos hospedadas com ele.

Encontrar e reencontrar essas pessoas, que nos acolheram com tanta generosidade em seus colchões, sofás e camas, foi uma das coisas mais felizes da viagem. Ficamos satisfeitos com nossa opção: bem mais bacana dormir na casa de gente querida do que em um hotel impessoal, sem livros e gatos e louças na pia, sem narrativas pessoais.

Há poucas horas, nos despedimos de nosso anfitriões e partimos rumo a Porto Alegre. Escrevo esse post do carro. Daqui a pouco chegaremos na cidade, e vejam a coincidencia: o local aonde quatro de nós ficaríamos não vai mais rolar, e estamos, de última hora, procurando sofás amigos para surfar.

E agora? Quem poderá nos ajudar? Será que é voce que vai nos hospedar, nos dar um cantinho e compartilhar uma ou duas noites da nossa companhia? Temos sacos de dormir e cabemos em qualquer cantinho. Pagamos em chocolate, livros e, claro, karma points. Quem anima? :)

Sobre Ontem

Vamp Spice lê poesias do livro Miolos Frescos no bar da cervejaria Sambaqui.
Vamp Spice lê poesias do livro Miolos Frescos no bar da cervejaria Sambaqui.

Fomos então.

Chegamos no bar da cervejaria Sambaqui. Arrumamos nossos livros em uma mesa, colocamos papelzinho colado com fita crepe anunciando os preços. Um banco foi posicionado na frente das mesas e do público. Fred posicionou um microfone peludo na estrutura metálica da tenda bem acima de nossas cabeças. Tudo que seria estaria gravado para posteridade. Medo.

Filipe nos deixou provar as cervejas da casa e eu escolhi minha favorita – a Wit – e me alegrei pelo álcool que ajudava a tensão horrorosa que estava retorcendo minhas tripas.

Como de hábito rolaram várias namastretas – eu e Daud combinamos de trocar, ele leria um conto meu e eu uma poesia dele. Não entendi que era para ler mais de uma poesia, ele ficou bravo, eu amei a leitura que ele fez do meu conto e ele odiou a que eu fiz da poesia dele. Aparentemente ele tem razão. Vamos lá superar meu leve pânico de ser filmada AND me apresentar em público, coisas que estavam acontecendo ao mesmo tempo naquela hora.

Nos embolamos um pouco na ordem das coisas, mas no fim das contas a leitura foi muito bem sucedida. Ana Rüsche é uma show woman, Jeanne encarna o arquétipo da poeta com perfeição, Tarsila parecia uma diva da década de 50 e nossos convidados João Amado e Rita Paschoalin mandaram muito bem lendo trechos de suas obras.

‘Tudo certo, nada resolvido” – dizia um amigo meu da época do movimento estudantil. Como tudo que tinha para ser feito já tinha sido feito, a natureza resolveu dar o seu closure clichê e mandou uma bela chuva que nos deixou todos espremidos dentro do pequeno bar da Sambaqui. Bebemos então, finalmente pelo prazer e não para aplacar a expectativa.

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Hoje temos duas atividades em Florianópolis: Bate Papo no Sebo Elemental às 17h e Curto Circuito Criativo no Sesc Prainha. Tudo gratuito, tudo com sanguenozóio, tudo com amor. Nos vemos lá!

Cruzando pontes

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Quando eu cruzei a ponte para chegar na ilha de Florianópolis pela primeira vez, já foi de malas prontas. Era o ano 2000, e eu tinha passado no vestibular para Jornalismo na UFSC. Não tinha estado na cidade nem mesmo para a prova, já que havia a possibilidade de fazê-la em uma cidade mais perto de casa.
Não sabia nada nada sobre Floripa, exceto que tinha mar. Não sabia que os habitantes daqui eram chamados de manezinhos, que a cidade tinha uma cena forte de rock independente, que havia uma Lagoa linda (e que eu cruzaria tantas vezes para ir ao bar mais legal que já existiu). Não sabia das cores incríveis da cidade, nem do chiado do sotaque (bora fazer um surrax, porrax).
Também não sabia muito sobre Jornalismo, o curso que eu vinha fazer. Eu achava que Jornalismo era escrever coisas. E era isso que eu queria fazer: escrever.
Da janela do ônibus, depois de 19 horas de viagem desde Uberaba, dava pra ver a ponte Hercílio Luz, essa da foto. Por cinco anos, o tempo que morei aqui, cruzar a ponte e ver a Hercílio Luz ali do lado me dava uma sensação difícil de definir, um pouco bittersweet, como a de voltar para casa, mas também a de saber da transitoriedade das coisas, do seu estado de passagem. De saber que isso não iria durar, e que eu iria embora um dia. Hoje acho que sei melhor o que era: um estado de poesia. Uma sensação bonita, de encher o peito de uma alegria ligeiramente melancólica. Coisa de beleza mesmo.
Quinze anos depois, cruzo a ponte novamente. E a Hercílio Luz está ali, em sua beleza forte e solitária. Muito parecida, percebo eu, com a ponte que está em nosso logo, criado pelo Max. Desde o início desse projeto, uma de nossas metáforas para descrever o que queríamos fazer era o “cruzar pontes”: poder nos aproximar de outros escritores e leitores, de gente interessada em poesia nas diversas cidades. Dinamitar barreiras, sim, mas principalmente fazer travessias que conectem pessoas. Ligar ilhas e continentes. E, dentro disso, faz todo o sentido que Florianópolis, essa ilha de cores lisérgicas, seja nosso primeiro ponto de parada. Aqui nossas pontes deixam de ser metafóricas para virar concretas. E comigo fazendo aquilo que eu queria fazer desde a primeira vez: escrever.
A Ana Rüsche costuma dizer que uma das maneiras que ela tem de tomar decisões na vida é ver o que a Ana de 15 anos acharia daquilo: ela prometeu a si mesma, com essa idade, nunca se desapontar. Pois bem. Acho que aquela Jeanne de 18 anos, que ainda não sabia de muita coisa quando atravessou aquela ponte, há 15 anos – acho que ela ficaria feliz.

Divididos!

Chegamos de madrugada em Florianópolis e precisamos nos dividir – nossas hospedagens eram em casas diferentes, e com o imprevisto de Morretes tivemos que chegar em Floripa um dia antes e nossos anfitriões tiveram que rebolar.

A querida Rita Paschoalin recebeu a mim e o Daud. Ela é escritora e publicou Contos do Poente com a Luciana Nepomuceno. Fomos recebidos duas da manhã com chá e bolo e edredons quentinhos. Foi restaurador. Acordamos hoje com a presença do Arthur de 11 anos, que já leu quatro livros nessas férias e Amanda, sete anos, que já fez seu próprio livro nessas férias. Nas minhas férias eu só queria saber de andar de bicicleta, jogar Street Fighter no fliperama e ir à praia. O futuro provavelmente será bem mais esperto do que o nosso presente. :-)

Mais tarde a tropa vai se reunir para comer ostras e bolar a nossa performance na Sambaqui. Programação clicando aqui nesse link.

E se quiser nos encontrar a nossa Leitura será no bar da Cervejaria Sambaquia partir das 19hno Santa Mônica, Av. Madre Benvenuta com a presença da Rita lendo trechos do Contos do Poente e claro, os Escritores na Estrada lendo, bebendo e batendo papo com quem chegar.

Vamos adorar encontrar vocês por lá. E deixa eu ir lá que Arthur e Amanda querem fazer um fanzine com a gente. Quem sabe não teremos mais uma publicação nessa viagem?

Floripa, dia um

imageA foto é esta. Da Jeanne. A chegada de madrugada não permitiu parar e fazer outra. Estamos agora separados em três pequenos grupinhos.  Assim, cabemos melhor no sofá, no colchão, na cama emprestada. Acolhidos com bolo, crepe de chocolate.

Escrevo de um sofá quadriculado com uma manta com inscrições em japonês, estaria escrito amor?, paz? Descobri que tem uma armadilha no sofá. É muito bom dormir com  o pé pra cima, encostado no encosto de braço. Mas daí o pé também dorme. E se vc levanta rápido, fica formigando. Quase caí assim. Um perigo dormir bem.

A Jeanne fez a faculdade de jornalismo aqui. Se ela não estivesse dormindo agora, ia perguntar mais. Bom, depois ela mesmo escreveve.

Hoje temos nossa primeira leitura! Na Cervejaria Sambaqui, no Santa Monica. Até saímos no Diário Catarinense: http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/variedades/noticia/2015/07/escritores-na-estrada-faz-dois-eventos-literarios-nesta-semana-em-florianopolis-4804927.html

Temos o plano de almoçar juntos. Como estou bem desperta, farei algo que adoro fazer quando viajo, perambular sozinha por lugares que ainda não conheço.

E repararou que estou postando do celular? Superpoderes tão evoluindo aqui.