Sobre gratidão

Antes de começar a escrever efetivamente sobre a viagem, eu queria voltar um pouco e falar de como chegamos aqui. Da campanha no Catarse para viabilizar o projeto. Dos apoios que nos deram, da generosidade imensa, não só em termos financeiros, mas de encorajamento, de good vibes. Quando atingimos a primeira meta no Catarse, sem saber ainda que bateríamos mais uma e chegaríamos muito perto da terceira, eu escrevi um pouco no Facebook sobre como estava me sentindo (long story short: explodindo de felicidade e gratidão, rs). Como o FB é uma ferramenta sem memória, em que tudo se perde, deixo registradas aquelas palavras aqui, para lembrar do quanto ficamos realmente agradecidos por todo o apoio que recebemos.

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“E aconteceu agora há pouco, pessoal! A dois dias do prazo final, atingimos a nossa meta mínima! Nesse exato momento, temos R$ 11.950 no site do Catarse: www.catarse.me/escritoresnaestrada. \o/

Eu tô muito feliz. E muito, muito grata. A cada um que contribuiu, compartilhou, desejou boa sorte e boa viagem, a cada um que disse que gostaria de vir junto: obrigada. Obrigada, obrigada, obrigada.

Foi um mês cheio de emoções, correrias e articulações. Organizando muita coisa, amarrando as pontas soltas, fazendo pizzas, preparando oficinas e chamando todo mundo para conhecer o projeto, ver nosso vídeo, colaborar. Ultrapassando o limite elegante e socialmente aceitável para jabás.

Arte e dinheiro têm um relacionamento antigo. Se tivessem um perfil no Facebook, a descrição seria “It’s complicated”. É complicado. Dinheiro tem esse toque de Midas, que contamina o que toca, e na arte isso fica ainda mais acentuado. Quando envolvemos grana, parece que algo da pureza da coisa se perde. Parece errado. Mas é necessário. Seja o dinheiro da Igreja para os pintores e dos mecenas da nobreza ao longo da história, ou dos editais do governo, dos bancos que financiam cultura ou das pessoas que compram livros vendidos na Augusta hoje, a gente acaba precisando dessas trocas financeiras.

E, por isso, pedir ajuda, que já não é fácil – gostamos tanto de ser autosuficientes, de não precisar de ninguém, né –, fica ainda mais difícil. Rolam julgamentos. Quem pede fica exposto, vulnerável. A gente pediu porque acredita nesse projeto, acredita nessas oficinas e leituras e bate-papos e em trocar ideia com as pessoas de outros lugares ao vivo e a cores, em 3D, rs. A gente acredita na desvirtualização de corpos.

E agora, graças a cada um de vocês que compartilhou, contribuiu e nos deu força, faremos essa materialização. A poesia e a literatura ganharão corpo. E nós vamos fotografar e filmar e fazer uma publicação linda e mandar postais e escrever tudo no site, que é pra todo mundo compartilhar essa jornada com a gente. Vai ser lindo, incrível. Obrigada, muito obrigada.

Ainda não acabou. O Catarse se encerra às 23h59 de quarta-feira, dia 08. Quem ainda não apoiou e quiser, por favor, ainda dá tempo! Não existe contribuição pequena, todo valor nos ajuda. Quanto mais arrecadarmos, mais cidades poderemos fazer, mais dias poderemos viajar, mais conexões poderemos estabelecer, mais pontes poderemos realizar.

Mas agora já sabemos que a viagem vai rolar. E isso me enche de alegria e gratidão.

Obrigada.
Obrigada.
Obrigada.”