guia do mochileiro da van poesia

Vamos lá. Este vai ser um post em mutação, já que a viagem ainda não terminou. Mas comecemos, antes que seja tarde e nos vejamos engolidos novamente pelo ritmo de São Paulo/ Rio.

O ponto 1 já foi, está neste link aqui.

Sigamos (OVERSHARING ALERT – mas só tem um pouquinho)

Ponto 2: Se você estiver em sete pessoas e uma doblô, vai começar a achar que aquele limite medíocre da mala de mão no avião é na verdade um super luxo.

2a: Mesmo assim, esqueça aquilo que eu tinha falado no começo sobre viajar só com três calcinhas, a menos que você tenha hospedagem fixa por uns 3 dias seguidos ou sol abundante. Rapidamente, você se perceberá cantando músicas delirantes, pedindo apenas por uma calcinha limpa e seca.

3: Logo, o secador de cabelo da amiguinha vai servir, apesar de que provavelmente não serviria pra nada se você não tivesse tirado sarro da presença dele.

3a: Mas pensando melhor de novo, calcinha nem é tão importante assim. Né?

4: Porque afinal, como diz a regra da Renata: numa viagem de muitos dias com muitas pessoas, o tabu da nudez se desfaz.

5: Aliás, parece que todas as viagens atravessam essa mesma trajetória: a viagem sempre começa modernete, com as pessoas todas descoladas falando de sexo (mais falando do que fazendo, diga-se de passagem). Depois elas transitam pra fase da sofrência, onde elas falam de infâncias tristes e recheadas de traumas. Mas sempre a viagem termina com as pessoas falando incansavelmente sobre: cocô – aqui a equivalência entre falar e fazer já fica mais próxima, apesar da constipação habitual em viagens longas.

6: Vários pensamentos aflitivos e existenciais podem invadir a sua alma, mas em geral têm uma origem bastante simples, como o tormento dos nenês que têm sono. Por exemplo: se durante a viagem você está obcecada com ideais de leveza e preocupada em excesso com a sua gordura corporal, tenha certeza: é gases.

7: Ainda sobre o que fazemos em espaços privados, atenção: As paredes no sul são finas. E as chaves tem segredos. Ouvi dizer.

8: Várias coisas simples vão assegurar a moral alta da trupe, além da já conhecida toalha: O dramin, a água e lanchinhos com carboidratos já imaginávamos. Já o Tumblr foi uma surpresa agradável, mantendo o humor leve e a cabeça distraída durante os trechos mais difíceis com uma enxurrada de nudes.

9: Voltando para o lance das músicas delirantes. Se você introduzir na viagem a memória daquela música chiclete incrível que você conheceu pela galera do escritório, haverá um preço: Ela dará rebote e você cantará por 3 dias seguidos, ou mais.

9a: Alias, esta música e todas as outras três que você usar para tentar tirar a primeira música da cabeça.

9b: Seus amigos ainda por cima vão institucionalizar todas essas músicas e incluí-las formalmente nas performances, vídeos, lançamentos, oficinas. Respire, sorria e acene. E cante. E dance. Afinal a viagem é sua mesmo, e parece que só se vive uma vez.

9c: Essas músicas são também uma ótima oportunidade para desenvolver novas habilidades, como paciência, dança, performance, pronúncia alemã, ou seja, em última análise, o amor.

9d: Pra próxima etapa da viagem vou pesquisar todo um novo repertório. Preparem-se.

10: Fazer tatuagens de galera em viagens é uma ótima ideia: Faça. Mesmo se tiver que parcelar em três vezes.

11: Encontre os amigos antigos perdidos pelas cidades afora, vai ser incrível. Viu, amigos antigos perdidos pelas próximas cidades?

12: Aproveite as mil horas de daydreaming no carro e as conversas aleatórias captadas aos pedaços, elas valem por um ano e meio de análise, 200 horas de oficina criativa, 3 férias de 30 dias, possivelmente mudarão sua escrita, quiçá sua vida.

13: Recursos cênicos (como os nossos chifrinhos, carinhosamente chamados de MacGuffin): Use, use para quebrar o gelo, para dialogar mais fácil com pessoas desconhecidas, use para brincar com a ideia do ridículo, use para passar a palavra, use para trazer novas vozes e ideias à tona, use para empoderar, use para animar crianças, use para passar a gasolina no crédito e pra comer um espetinho de frango, use para ir no banheiro e para comprar bebidas no boteco do interior, use sem moderação, até esqueça que está usando. Tá todo mundo esperando que alguém abra a pista de dança pra se sentir mais à vontade para dançar. No nosso caso acho que seria tirar o sapato para entrar no tanquinho de areia e brincar.

14: Leve uma pessoa de exatas. Alguém precisa fazer as contas, e você, escritor, provavelmente não será essa pessoa. Um adulto também serve. Nós levamos o Fred, meio de exatas, meio adulto. Funcionou.

Alguém tem algum conselho amigo para considerarmos na nossa viagem para o Rio de Janeiro e para Belo Horizonte? Coloque nos comentários!

Beijos

 

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