a festa!

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Se fosse descrever o DUM Day, ia começar pelas estrelas.

Deitados em sacos de malte na grama orvalhada, riscavam os dedinhos as constelações. Escorpião. Riamos de histórias passadas. Avaliei mais uma vez os últimos anos. Ando ruminante, mais uma vez aquele meu excesso típico de pensamentos. Abracei e chorei o Daud, meu irmão mais velho. Gente de cidade é insuportável, não pode ver um lugar bonito e iluminado – como é o Museu do Olho do Niemeyer – que quer ficar ali na grama, deitado olhando o céu.
Segui a Rê para onde ia. O sobretudo azul e o sorisso mais cintilante da festa. Eu estava feliz como pinto no lixo. Pra contar meus motivos exatos, teria que contar “a verdadeira história da turnê”. Cuja escrita já está sendo providenciada, no melhor do gerundismo. Aguarde!
A gente chegou tarde, o sol tinha ido, mas estávamos com a moral da tropa tinindo. Conforme prometido, lá estavam os nomes na lista de entrada e avistei a querida Dani Volcov andando pra lá e pra cá (admiro tanto o trabalho dessa mulher). Entramos, ganhei o abraço da Dani e um borrifo de spray de beleza, te juro. Pegamos os copinhos e o primeiro brinde, alguns de Jan Kubis, alguns com um dos muitos tipos de Petroleum. Não fizemos selfie. Nem precisa, quem iria esquecer?
Aos poucos, fui encontrando os rostos de cervejeiros conhecidos. Mais abraços, papos e planos sobre o Butantan e Marechal Food Park em São Paulo, onde faço a curadoria das cervejas artesanais (o que, além da paixão, explica as relações amigáveis e necessárias entre cervejarias e a turnê).
Demorei pra avisar o Murilo, cervejeiro da DUM, anfitrião da festa, com os cabelos nas costas, gesticulando com o braço tatuado e já reclamando nem sei do quê. Só conseguimos conversar direito depois, escutando histórias cabulosas duma casa de avó do amigo. Encontrei o Luizinho, também da DUM, cuja mãe fez um ragu cheiroso e acolhedor que comemos às colheradas a la miolos frescos.tarsi-gonza
Qualquer preocupação minha sobre se meus companheiros de jornada iriam aproveitar a festa se desvaneceu. Diante das mais de 70 torneiras de chope, dos nomes mais diferentes, cores e cheiros, riam e faziam brindes. Era o grande dia de ir de taxi e deixar nosso motorista, Fred, ter a folga na atribuição e beber conosco. Jeanne se encontrou com uma porter. Renata fazia perguntas e passava por aquela surpresa boa de contar pra própria pessoa que fez aquela cerveja o “curti muito!”. Gonza e Tarsila tiraram fotos como astronautas. Numa, a Tarsi dá um bocejo e passa pela misteriosa experiência especular de não conseguir mais olhar a foto sem bocejar.

Difícil foi ir embora. ‘Olá, eu sou o chato’ do segurança simpático não amenizou a fissura de pegar o mais um último copo de Jan Kubis. Também não queria dar tchau pro Murilo, não queria o fechamento, a despedida, o começo do retorno. Me abraçou e perguntou o que a gente ia fazer amanhã, respondi que era comer barreado em Morretes. Ele não teve dúvida e foi contar aos outros Escritores na Estrada que ia junto!
Como a Renata voaria para o Rio para estar com sua filhinha, tinha um lugar vago na van e parecia perfeito. Fiquei feliz em adiar despedidas. Ainda festejamos noite a dentro (no caso da Tarsila, bocejamos) na casa do Ricardo, com as garrafas de Perro Libre que trouxemos de POA.

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bocejo especular

Pela manhã, o acordar é aquela bagunça arrastada e a palavra mágica “postais”. Ninguém sai se não escrevermos os 70 postais de recompensas do Catarse. E bora rir com as frases mal humoradas do Daud, com os números fora dos quadradinhos da Ana Erre, lembrando de tantos amigos e pessoas queridas.

Agora tem o pedaço de história que a Renata não sabe, pois ela já tinha partido rumo aeroporto: durante a missão postaica, recebo mensagem do Murilo pra saber do barreado. Daí descobrimos o furo do plano: decidimos voltar pela Graciosa. E não conseguiríamos o deixar de volta em Curitiba. Fred, Horse Spice, me desenha um triângulo com as mãos pra explicar as rodovias. Não tinha muito jeito. Pensamos confusamente pensamos. Era abortar missão Murilo-na-Van. Dei o recado chateada. Saber perder é uma das artes majestáticas da vida.
A Renata pediu pra alguém escrever sobre a festa. Acho que diria o seguinte

: tem aquele lance de dizer que beber champagne é beber estrelas. É estranho te explicar, mas te digo que não era nada além de cerveja. No entanto, bebíamos estrelas distraídos.

 

(Posto da estrada, já em Itapecerica da  Serra. Perto de São Paulo, “Mordor” como carinhosamente a chamamos. 3G tinindo. Mordor tem lá suas vantagens. Nem reviso, pq a vontade é de parar de escrever, pois agora é passado).

 

PS.: Rê, a Van sem ti tem menos umas 8 pessoas. Te amamos.

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