Curitiba: o que teve?

Teve festa, teve amor, teve escritores, teve curto circuito literário, teve carne de onça. E teve SOL. Juro. Teve sol.

Chegamos em Curitiba mortos de frio e fome. Eu e Ana sequer tínhamos tirado os pijamas que tínhamos dormido na noite anterior em Porto Alegre. Ricardo Pontoglio, nosso anfitrião, nos recebeu no Bar Baran. Bar recomendadíssimo por várias pessoas pela seleção de cerveja e a elogiada comida ucraniana. A cozinha fechava 23:30. Olhamos no relógio: 23:33.  Não existiu negociação possível. Frustrados, molhados, esfomeados, esfarrapados tentávamos nos agarrar ao último fio de bom humor brincando com uma tiara de chifres carnavalesca que era a metáfora perfeita de todos nós: vistosa porém um pouco despencada pelo uso. Ricardo nosso anfitrião conseguiu deixar a moral da tropa alta nos levando até a Mercearia Fantinato. A recomendação do garçom simpático era a Carne de Onça, iguaria curitibana que consistia em carne de vaca crua temperada com páprica, pimenta do reino, cebola, cebolinha, ou seja: gostoso. Uma parte da mesa torceu o nariz, mas eu, Fred e Daud demos um salto de fé e apostamos. Experiências gastronômicas fazem parte de qualquer viagem que se preze – Indiana Jones comeu miolos frescos, viu Jeanne? – e logo nosso entusiasmo curioso contagiou a mesa.

No meio, Ricardo, nosso anfitrião corajoso.
No meio, Ricardo, nosso anfitrião corajoso.

Finalmente estávamos de barriga cheia e prontos para apagar. Ricardo foi o louco que nos recebeu todos na mesma casa. Foi a primeira vez que isso aconteceu na turnê. Jeanne e Fred num colchão inflável no átrio, Daud e Ricardo no segundo andar, Gonza e Tarsila no sofá do primeiro andar acompanhados por mim e pela Ana que estávamos no chão com os sacos de dormir. Estávamos super cansados, a viagem de PoA foi muito longa – teve engarrafamento, pneu furado, chuva. Demoramos cerca de 13 horas no percurso. E claro que com isso, acordamos atrasados para nossa leitura e encontro com escritores na Arte & Letra.

Simplesmente ninguém colocou o celular para despertar e a coisa toda começou a ganhar contornos épicos com a gente se enfiando na van poesia como loucos. Deu tudo certo. O lugar era lindo de morrer, uma casa de pedra, um jardim que a cada ventinho fazia folhas amarelas caírem sobre nossas cabeças. Alguns poetas e escritores já estavam lá, o Thiago tinha deixado todo ambiente bem acolhedor. Para abrir os trabalhos cantamos trechos de músicas que cantávamos na estrada. A escolhida foi “Deixa Acontecer Naturalmente” do Grupo Revelação. Foi bem divertido. Fizemos uma breve leitura de nossos livros e dos livros dos nossos convidados. Estavam presentes Andreia Carvalho, Guilherme Gontijo, Ismar Tirelli, Lubi Prates, Marcia Pfleger, Mari Quarentei, Mariana, Ricardo Pontoglio. Se eu esqueci alguém por favor se manifeste para eu poder incluir. O que teve depois foi um dos momentos mais gostosos da turnê, um bate papo sobre a cena literária da cidade, diversidade, processo criativo, mercado editorial. É delicioso poder dialogar com nossos pares, vislumbrar frestas, aparar arestas, construir algo através dessa troca. Fred e Gonza super atentos na funça, captando tudo que podia ser captado.

Escritores na Arte & Letra
Escritores na Arte & Letra

Almoçamos na correria e seguimos para o espaço Das Nuvens que receberia o Curto Circuito Literário. A Keiko além de nos receber no espaço ainda providenciou os cartões postais que iríamos mandar de curitiba. Muito agilizo. O espaço era inspirador e estava lotado. Grupo diverso, atento, interessado. Ana fez as apresentações, eu comecei com a Trajetória do Herói, seguida pela Jeanne com o Leia Mulheres (Suave Pantera não me sai da cabeça), Ana com sua oficina anti engavetamento, Tarsila que botou a galera pra se mexer e Daud com a Escrita do Inconsciente, que sempre faz os oficineiros fazerem Ohs e Ahs de espanto. Ao fim da oficina autografamos alguns livros, e fizemos uma visita ao espaço e entendemos perfeitamente o nome do lugar. É um skyline maravilhoso de Curitiba com as cores de um pôr do sol de tirar o fôlego. Espia só.

Nas nuvens do Das Nuvens.
Nas nuvens do Das Nuvens.

Depois partimos para o Dum Day. Mas isso é outra história que espero que um dos meus companheiros tenha a generosidade de narrar.

Eu e Tarsila mandamos beijinho no ombro para quem perdeu.
Eu e Tarsila mandamos beijinho no ombro para quem perdeu.

 

 

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