Minha dose de drama

Quem vê no Faceinbox não sabe, a saída de São Paulo não foi tão fácil quanto pensávamos. Teve gente que acabou a bateria do celular no meio da noite e ficou sem alarme, daí que tinham abusado ― todos abusamos, nos últimos dias, tinha uma tensão permanente por não sabermos bem o que nos espera, se os planos vão dar certo, se estamos fazendo algo certo… ― e o resultado foi um atraso de umas quatro horas, no total.

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Eu, fugindo enquanto é tempo

Mas esse foi só o começo, porque somos sete e o carro leva sete… sem bagagem. Compramos um bagageiro enorme, quinhentos litros, mas tínhamos muita coisa pra levar. Sacos de dormir, agasalhos grandes ―ainda torço para que o tempo não vire e tenhamos calor―, livros.

Nossos documentaristas, o Fred e o Gonza, começaram a filmar, mas logo tiveram que interromper pra tentar enfiar as coisas dentro do bagageiro. Levou cerca de uma hora pra fazer isso, ainda assim porque nos desfizemos de algumas coisas, inclusive computadores. Não foi minha escolha, como veem, na verdade minha mala já estava bem enxuta e levo poucos livros: 11, pra ser exato, remanescentes da 2ª tiragem do meu Poemas para o Século XX. Só de pensar que teremos que fazer toda essa manobra em cada parada, sentia angústia. Mas isso também você não vai ver no documentário, porque rimos, fazemos piada, e prometi antes de sair de casa que não iria ser angustiento. Por mais que viajar me deixe nervoso e inseguro.

Então sentei na cadeirinha preparado pro caminho. Ana do meu lado, já um pouco mais confortáveis, depois da primeira tentativa, daí descobrimos que ela passa mal na estrada. Eu também, uma tontura, se fico muito tempo na frente da tela brilhante. Ler até que consigo. Saca o Dramin da bolsa, pede a água. Dramin é um drama pequeno, saca? Diz a Ana: é a minha dose permitida de drama nessa viagem.

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