onde você está?

Parece uma pergunta de meditação, de analista. Parece uma pergunta até de DR com namorado. “onde você está” que não está com a cabeça aqui, que não está presente no mesmo lugar que o seu corpo, que está sempre além, ailleurs?

Como se tivéssemos algum tipo de casa, como se nossa cabeça trabalhasse com lugar para voltar.

Como se estar no presente fosse estar no corpo, no mundo físico, enquanto tudo o que pensamos e sentimos está colorido e maquiado com os matizes de nossa maneira de imaginar o mundo. De sonhar o mundo.

Não há lugar para voltar. Não temos casa. Não temos abrigo senão o que construímos com as peças do nosso sentido, do nosso texto.

Mas podemos saber onde estamos. E isso é muita coisa. “Onde você está” pode ser uma voz que pergunta por carinho. Que se pergunta por cuidado: Onde estou?

Agora mesmo queria terminar uma tarefa que não faz sentido, enquanto procrastino fazendo aquela que me faz.

Agora estou anestesiada da viagem, da agenda lotada, de acordar de madrugada.

Agora estou estranhamente tranquila. Não deveria. Não deveria? Quem disse?

Agora penso em mil coisas que não sou eu. Mesmo quando penso para fora, não quero esquecer que sou eu quem o pensa.

É interessante pensar os lugares internos como lugares, porque isso significa que podemos usar da nossa pele para desfrutá-lo, das nossas pernas para transitar por eles.

Agora estou tomando fôlego para chegar até amanhã. Amanhã vai ser um dia massa, como diria a Jeanne, que lança o livro amanhã com a Renata.

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Uma vez tive uma aula de dança com uma cigana (tive não, me meti clandestina no meio da aula, ensaiando os passos sentada). Ela disse algo como “vocês tem que dançar como se vocês estivessem do seu próprio lado, senão quem vai estar?”.

Parece algo tão cliché, enquanto não se põe em prática. Se fosse fácil a gente não tava com a cara tão enfiada em aparelhinhos eletrônicos o tempo todo.

Como ando numas de escrever manifestos sobre o ato de escrever (sou dessas! ou pelo menos, estou), lá vai mais uma manifestação:

 

Escrever é estar consigo.

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